Geotecnologias Luís Lopes

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5 de novembro de 2018

Aprenda o QGIS: o software livre mais difundido atualmente

19:17 0
Saudações queridos colegas!

Após alguns meses sem posts retorno agora para iniciar uma sequência de postagens sobre o QGIS, software livre que vem se destacando no mercado de GIS como alternativa para a execução de projetos cartográficos. Basicamente, o conteúdo que divulgarei faz parte de um material - com base cartográfica própria, selecionada durante alguns anos, que uso em minhas disciplinas na graduação e pós-graduação na Universidade Federal do Pará.

Podem se perguntar: Mais um tema repetitivo? Pode até ser, mas o que tenho notado em salas de aula é a ausência de conteúdo gratuito nesta direção. Assim, o objetivo é contribuir na democratização do conhecimento sobre essa importante ferramenta. Para isso, vou iniciar o conjunto de postagens a partir da discussão sobre a evolução da representação cartográfica, posteriormente - semanalmente, vamos divulgar todos os passos para que o leitor possa conhecer desde a instalação até o manuseio especializado no software...

Espero auxiliar com aqueles querem se aprofundar nessa ferramenta.

Destacamos aqui os tutoriais, livros e manuais que são referências conhecidas e que citaremos no decorrer das postagens como indicação para os leitores. Além dessas leituras tradicionais, foi imprescindível o acesso em vídeo-aulas no youtube e em blogs de geoprocessamento, citados ao longo das postagens, que disponibilizam gratuitamente diversos tutoriais, que também servirão como referência primordial para a conclusão das postagens, dentre outros, citamos aqui os blogs GeoLuisLopes, Sadeck Geotecnologias, Anderson Medeiros, VasGeo, Processamento Digital e Geosaber, que vem popularizando e estimulando o uso de geotecnologias e o aprendizado em cartografia e seus desdobramentos/avanços dos últimos séculos. 

Sem duvida, o aparecimento dessas vídeo-aulas, de blogs e sites contribuem em muito na formação e capacitação de profissionais, em todos os níveis de ensino e setores da atividade humana. Vamos lá...

O MAPA E A EXPLICAÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO


Nas últimas décadas a análise geográfica passou por uma série de transformações, notadamente com relação às técnicas de elaboração e representação espacial, com ênfase para os progressos alcançados com o uso de computadores e os avanços na coleta de informações espaciais, por meio de sensores remotos. Nesse sentido, é importante analisar os processos de mudanças na arte, técnica, ciência e disciplina cartográfica, considerando as novas (geo)tecnologias e as transformações que o homem vem imprimindo no espaço geográfico (SILVA; CARVALHO, 2011).

O conceito de geotecnologias (sensores remotos, os Sistemas Globais de Navegação por Satélite – GNSS, aplicativos de geoprocessamento, Sistemas de Informações Geográficas – SIG, etc), se apresentam na atualidade como importantes ferramentas para a produção da “geoinformação”, ou seja, para a geração e manipulação em meio digital de informações espacializadas, oriundas de técnicas de interpretação visual de imagens, coleta de dados em campo e manipulação computacional de fenômenos e objetos espacializados, existentes no espaço geográfico. Sendo que, essas ferramentas, facilitam a elaboração dos produtos cartográficos, agilizando a coleta de dados, otimizando a manipulação das informações espaciais adquiridas e divulgando mais rapidamente os produtos cartográficos que são elaborados.

Essa evolução na elaboração dos produtos cartográficos, também disponíveis na internet, acompanha o progresso das atividades humanas que se desenvolvem nas questões de ordenamento e gestão territorial na atualidade. Contudo, é cada vez mais evidente que as formas de interagir e ocupar o espaço geográfico devem se beneficiar dessas “novas” ferramentas cartográficas, pois as modificações que se desdobram no espaço não podem ser desconsideradas em nenhuma atividade. Entre as chamadas geotecnologias destacam-se os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) e as imagens de sensoriamento remoto de alta resolução, que permitem distinguir pequenos objetos sobre a superfície do planeta, algo indisponível em décadas passadas. A figura 1 mostra obras humanas, cada vez mais comuns, e que podem ser visualizadas do espaço e são frutos da intervenção do homem em seus territórios, que também carecem de representação cartográfica.
                                  Figuras 1: Condomínios em Dubai Fonte: http://migre.me/8W5iI

Assim, com o avanço nas tecnologias de ocupação e ordenamento dos territórios, surgem novas formas, cada vez mais impactantes e evidentes no espaço geográfico. Fato que não acontecia em tempos anteriores, onde a tecnologia rudimentar não possibilitava ao Homem daquele momento, com tanta frequência como se observa nos dias de hoje, a construção de objetos tão grandiosos como da figura 1. Isso demonstra também a necessidade de representação desses novos objetos, que são criados diariamente e que refletem no surgimento de sites especializados na divulgação da informação espacial, como o Google Earth, Eye on Earth, Google Maps, entre outros.

Outro exemplo de como a cartografia e suas ferramentas “geotecnológicas” vem sendo utilizadas de forma cada vez mais comum, vemos na próxima figura, que representa a espacialização de fenômenos criminais no ano de 2010, em bairros do município de Marituba, no estado do Pará, Brasil. Esse tipo de produto, e outros desse gênero, estão sendo gerados com mais frequência, não apenas em setores de segurança, saúde e planejamento urbano, mas também na área educacional, onde os computadores e os aplicativos de geoprocessamento (que podem ser gratuitos, ou OpenGIS) estão cada vez mais acessíveis aos usuários, sejam geógrafos ou não. Isto é, atualmente a elaboração do mapa depende, principalmente, da disponibilização dos dados pelos órgãos competentes, no caso da figura 2, dados cedidos pela Polícia Militar do Estado do Pará.
Figura 2: Mapa de intensidade de porte ilegal, tráfico de drogas e homicídio, no município de Marituba – Fonte: Alvarez (2011)

Esses e outros exemplos de modelos de mapas estão disponíveis com cada vez mais intensidade na internet. São amostras de trabalhos que utilizam a cartografia digital e que podem ser replicados em outros lugares, por outros profissionais e que são adaptados à realidade do usuário que, dependendo do assunto, trará novos questionamentos para a elaboração de outros mapas. Na atualidade, a justificativa de “não saber fazer” tem cada vez menos sentido, uma vez que existem, acompanhando o avanço de elaboração e divulgação dos softwares de geoprocessamento, diversas revistas, sites blogs, que discutem como “montar” esses produtos, por meio de tutoriais, artigos e manuais de elaboração. 

Assim, a questão do uso de ferramentas de geoinformação está intimamente ligada à necessidade de espacializar os fenômenos e os processos de territorialização no espaço geográfico, por meio do uso de equipamentos computadorizados e de técnicas cartográficas que têm surgido nos últimos anos, desde o lançamento dos primeiros satélites de comunicação, ao uso de sensores de alta resolução espacial; pois os fenômenos sobre a superfície de Terra refletem na produção de informações sobre um determinado local, que são passíveis de serem visualizados na tela de um computador. Dessa maneira, a representação da Terra e de seus objetos, são produto e matéria-prima do que acontece na superfície, onde todas as informações obtidas passam a ser atualizadas constantemente, criando novos dados e informações que estão sendo revisadas esporadicamente e que geram novos objetos na superfície terrestre e que refletem na elaboração de mapas atualizados com maior frequência.

Todavia, é importante que antes de elaborarmos um mapa – ou outra representação espacial, devemos saber qual será o uso para este produto cartográfico e quais os usuários a que se destina. As possibilidades são grandes: monitoramento ambiental, segurança pública, transportes, manejo de recursos naturais, cadastros rurais e urbanos, análises espaciais urbanas, etc. Assim, a complexidade, ou facilidade, que o mapa terá dependerá, principalmente, de algumas especificidades, que podem ser encontradas em Silva et al (2014):

1) Do nível cognitivo ou da formação escolar do usuário: isto é, da especialidade de cada usuário em saber elaborar e analisar o mapa produzido. Desse modo, um biólogo entenderá o mapa diferente do que um geólogo, geógrafo, engenheiro e assim por diante. A (multi, inter, trans) disciplinariedade dos mapas refletem o conhecimento de seu elaborador. Assim, quanto mais “treinada” a visão do elaborador dos mapas, mais complexo será o produto cartográfico produzido e vice-versa, daí teremos mapas simples e complexos para públicos diferenciados;

2) Das instituições, organizações e ideologias do elaborador: De alguma forma, direta ou não, todos os indivíduos estão vinculados a instituições/organizações políticas e ideológicas, que influenciam em suas práticas e, consequentemente, repercutem nos produtos e/ou atividades realizadas. O elaborador do mapa deve cultivar a prática da imparcialidade, para que seus mapas não sejam tendenciosos e partidários, mas que estimulem o sentido crítico de seus leitores na busca por um entendimento próprio dos fenômenos;

3) Das ferramentas (geo)tecnológicas (softwares hardwares) disponíveis para a elaboração do mapa: É necessário enfatizar que existem diversos programas e equipamentos direcionados à elaboração e disseminação dos mapas. Se antes o usuário necessitava do estudo de campo para compreender o fenômeno estudado, nos dias de hoje as imagens de sensores remotos nos dão a capacidade de perceber objetos no espaço geográfico sem sairmos do laboratório, bastando somente a capacitação técnica para a manipulação das tecnologias. A precisão e a melhoria nas resoluções (radiométrica, temporal, espectral e espacial) possíveis pelo avanço da informática dos últimos anos e também da aeronáutica (com os satélites, aviões e os drones), tornaram-se aliados significativos que foram incorporados aos conhecimentos já produzidos pelas chamadas geotecnologias mais antigas (bússola, astrolábio, etc) e que vem influenciando diretamente na qualidade dos mapas produzidos e nas formações dos profissionais que trabalham na área cartográfica;

4) Do fenômeno ou objeto que está sendo representado: Um mapa ideal (e não perfeito) será reflexo da quantidade de informações já colecionadas sobre uma temática de análise. Dessa forma, quanto mais conhecemos um determinado tema, mais poderemos encontrar novas aplicações para o conhecimento reunido, isto é, se pouco se conhece sobre um determinado assunto mais limitada será a produção cartográfica sobre esse assunto. Quando escolhemos temáticas que já são conhecidas pela comunidade científica, por exemplo, torna-se mais fácil o cruzamento de informações diversas, que possibilita a construção de novos conhecimentos, em que a formação do elaborador terá influencia direta na complexidade do produto criado;

5) Da capacidade de leitura e entendimento dos usuários: Os mapas elaborados não são feitos para o elaborador/mapeador ler, mas sim para um público-alvo de usuários, que tem necessidades especificas, estes últimos devem estar preparados para ler os mapas disponíveis, segundo o seu nível cognitivo (idade, grau de escolaridade, experiência de vida, etc), pois, dependendo da complexidade o mapa pode não atender as necessidades daqueles para o qual foi feito, ou pode ser simples demais para um leitor melhor preparado. É importante enfatizar que o avanço tecnológico por qual passa a cartografia – e outras ciências, não deve enfraquecer a análise crítica contida nos mapas, pois as chamadas geotecnologias, tem a facilidade de produzir mapas de maneira mecânica, sem a análise crítica de seu formulador e/ou leitor.

Para Silva (2013) essas características são fundamentais para que o mapa seja ideal ou adequado para um determinado uso. A perfeição não cabe ao elaborador de mapas, pois a realidade e seus atributos são muito maiores do que se pode colocar em uma folha de papel ou tela de computador. Ao usuário resta a busca constante por um produto “mais bonito”, preciso ou que agregue mais conhecimento, tendo em vista sempre não apenas a informação da localização dos objetos ou fenômenos (onde?), mas também a análise crítica dessa espacialização, isto é, o por que?como? e para que?.

Essa postagem é um debate inicial, conceitual, para adiantar os assuntos que serão tratados no conjunto de postagens sobre o QGis. Buscaremos ancorar todas as postagens - conceituais e técnicas com referências adequadas para o aprofundamento do usuário. 

Espero que seja proveitoso essa empreitada. Aguardo contribuições... 

Abraços!

REFERENCIAS


ALVAREZ, W. P. Geografia e segurança pública: Violência, pobreza e a criminalidade, o uso de sistema de informações geográficas na detecção do crime no município de Marituba. Belém: FCG/UFPA, 2011 (Trabalho de conclusão de curso de graduação em Geografia)
SILVA, C. N. A cartografia em sala de aula na explicação do espaço geográfico. Acta Geográfica (UFRR), p.55 - 68, 2013.
SILVA, C. N.; CARVALHO, J. S. A representação espacial e a linguagem cartográfica. Revista de Geografia, Meio Ambiente e Ensino - GEOMAE (Online), v.2, p.85 - 106, 2011.
SILVA, C. et al. The Cartography and the Spatial Representations: Search by Perfect Map. Journal of Geographic Information System, v.06, p.624 - 635, 2014.
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22 de setembro de 2016

Ebook: Geografia, gestão e segurança ambiental

11:16 0
O GAPTA (Grupo Acadêmico Produção do Território e Meio Ambiente da Amazônia) lançou mais um e-book. Trata-se de uma coletânea de 13 artigos organizado por Carlos Emílio de Sousa Ferreira, João Carlos Lima e Silva, Paulo Roberto de Souza Cruz e Sônia da Costa Passos.

"O debate que esse livro propõe a partir das análises dos autores demonstra as diferentes visões dos agentes de segurança pública e suas preocupações e suas atuações nessas áreas."

O livro intitulado Geografia, gestão e segurança ambiental é produto do curso de especialização em Gestão e Segurança Ambiental da Faculdade de Georgafia e Cartografia (UFPA) em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Pará (SEGUP) através do Instituto de Ensino Superior do Pará.

Capa do e-book

O e-book está disponível através deste link: clique aqui 

Faça também o download destes livros:
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9 de setembro de 2016

Ebook: Geografia, segurança pública e ordenamento territorial

10:44 0
Organizado pelo Grupo Acadêmico Produção do Território e Meio Ambiente da Amazônia (GAPTA/UFPA), o livro "Geografia, segurança pública e ordenamento territorial" está disponível para download gratuito.

Trata-se de uma coletânea de artigos, organizados por docentes da Universidade Federal do Pará, entre eles nosso colunista Prof. Dr. Christian Nunes. 

Capa do livro
Este livro, fruto do curso de Especialização em Gestão e Segurança Ambiental (parceria entre a UFPA e Secretaria de Segurança Pública do Pará), propõe a partir das análises dos autores as diferentes visões dos agentes de segurança publica e suas preocupações e suas atuações nessas áreas.

"Compreender as diversas interações dos fenômenos no território para intervir na identificação dos problemas é um desafio para gestão, para melhorar as formas de atuação dos agentes públicos no território e sistematizar os dados para produção do conhecimento através de novas técnicas de intervenções que contribuam com os agentes públicos para melhor atuação no ordenamento do território paraense." (extraída do livro)
O e-book está disponível neste link.

Boa leitura!
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5 de setembro de 2016

Ebook: Ensino de geografia e representação do espaço geográfico

11:21 0
Livro organizado por três profissionais, incluindo nosso colunista Christian Nunes, disponível para download gratuito. Trata-se de um livro de artigos dividido em dois capítulos. São eles:

1 - (Novas?) Tecnologias na Representação do Espaço Geográfico 
2 - Práticas e a Análise Espacial no Ensino de Geografia

De acordo com Christian Nunes, "este livro surgiu a partir das discussões realizadas na disciplina ― Cartografia no Ensino de Geografia, com alunos de graduação em Geografia da UFPA, no ano de 2013, e também de resultados obtidos com a execução do projeto ― A cartografia em sala de aula: capacitação de professores da rede pública de ensino no uso da cartografia e de geotecnologias, financiado pela Pró-Reitoria de Extensão da UFPA".

Capa do livro

"Alguns dos objetos de aprendizagem e/ou práticas citadas nos artigos deste livro podem servir como modelo para serem utilizados nos laboratórios e salas de aula das escolas públicas e particulares, desde que se considere a temática da aula e o entorno dos alunos."

O livro está disponível neste link.

Bons estudos!
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19 de julho de 2016

O mapeamento participativo para a análise territorial

10:17 0
Por Christian Nunes

Saudações a todos, 

Apresento aqui um resumo de um artigo publicado na revista Scientia Plena, disponível no link (https://www.scientiaplena.org.br/sp/article/view/3140), escrito inicialmente com a valorosa contribuição da mestranda em Geografia, a Sra. Camila Verbicaro, e que trata do mapeamento participativo enquanto metodologia de análise do território. 

No artigo completo, baseado em IFAD (2009) e outros textos citados, além de trabalhos de campo que realizamos na região amazônica, tivemos o interesse em mostrar ao leitor alguns métodos de aplicação do mapeamento participativo e, ao final, recomendamos alguns pontos importantes para quem utilizar essa técnica.

Agora, faço um breve resumo deste artigo e convido o leitor interessado a ler o artigo na integra, no link informado anteriormente. Boa leitura...

A tentativa de entender, descrever e representar os territórios sempre esteve presente na história dos seres humanos que, por meio de símbolos e figuras pictóricas, antes mesmo da escrita e da fala sistematizada em idiomas, buscavam manifestar suas primeiras impressões da realidade e as usaram para delimitar e ocupar efetivamente seus territórios de moradia, trabalho, lazer, religião, etc. Com isso, evolutivamente, as técnicas cartográficas e o uso de outros recursos tecnológicos possibilitaram ocupar diversos lugares na Terra, criando-se cidades, estados, países e outros fenômenos e objetos artificiais.
 
É nesse contexto que toma força nos últimos anos as metodologias baseadas nas metodologias participativas, que visam fomentar ainda mais a participação das coletividades locais com o propósito de conhecer sua própria realidade. 

Um diagnóstico executado por meio do mapeamento participativo, busca identificar as territorialidades exercidas e os diferentes atores que compõe esse cenário, com o intuito de proporcionar à comunidade uma melhor comunicação com os órgãos públicos, expressando os seus problemas, potencialidades e promovendo o desenvolvimento territorial.
 
O IFAD (2009) faz uma breve definição desse método de representação informando que o mapeamento participativo é a criação de mapas pela comunidade local, que em muitos casos envolve as organizações de suporte como o Governo (em diversos níveis), organizações não governamentais (ONG), universidades e outros agentes envolvidos no desenvolvimento e no planejamento relacionado com a terra. 

Nesse sentido, trata-se de um processo de produção de mapas que intenta tornar visível a associação entre terra e comunidades locais ao usar a linguagem comumente entendida e reconhecida da cartografia.
 
Dessa forma, esses mapas podem se tornar uma ferramenta de atuação, que possibilita à comunidade representar os fenômenos socioeconômicos e ambientais de suma importância para o bom desempenho e para o planejamento de ações conjuntas entre comunidades, instituições públicas e privadas. A seguir, alguns dos procedimentos de mapeamento participativo.

O Mapa mental (Croqui)

O croqui é uma representação de cunho cartográfico, embora não necessite de escala e nem de referência formal (coordenadas geográficas). Ou seja, é um tipo de mapa cognitivo ou mental que é confeccionado sem uma convenção regulamentada por órgão oficial, e que depende da percepção que seu elaborador tem do meio que o circunda, por isto não possui rigores científicos para sua concepção, conforme mostra a figura 1. 

Figura 1: Avaliação participativa do Projeto de empoderamento da comunidade para o acesso a terra, Uttar Pradesh, India. Fonte: IFAD (2009, p. 26)
Neste procedimento, sem o rigor da ciência cartográfica quanto a totalidade de seus atributos, os participantes do mapeamento têm a chance de escolher que materiais utilizar e que itens acham relevantes para representar nos mapas, avaliando quais as formas e como elas serão desenhadas, podendo a sua variação estar diretamente ligada ao grau de importância dessas feições para a comunidade. 

O mapa mental não se preocupa em representar medidas exatas, escala consistente e georreferenciada, ele está aberto para interpretação do sujeito sobre sua realidade e dá a chance desse sujeito representá-la.

Mapeamento com bases cartográficas

Neste procedimento, uma equipe de facilitadores leva à comunidade um mapa base, contendo algumas informações georreferenciadas como sede municipal e rede hidrográfica, por exemplo. Sobre ele os participantes plotarão a localização da sua comunidade, mapeando as informações que desejam representar, proporcionando uma simbologia adequada de acordo com as figuras selecionadas pelos participantes (IFAD, 2009). 

Neste tipo de mapeamento é importante que o mapa base não influencie enfaticamente as percepções dos mapeadores, não seja tendencioso, para que os participantes não sejam estimulados a representar objetos/fenômenos que não sejam aqueles relacionados às suas próprias experiências.

Figura 2: Mapeamento Participativo com a utilização de Mapa-Base
Fonte: Pesquisa de campo (2014)
Essa técnica tem um custo relativamente baixo e uma rápida resposta, além de fornecer à comunidade uma representação com precisão razoável e com muita informação do conhecimento territorial. O mapa resultante desse processo pode ser utilizado tanto para determinar dados quantitativos como distâncias e direções.

Mapeamento com imagem de sensoriamento remoto

Esta metodologia é realizada primeiramente com a confecção de uma carta-imagem produzida por meio do cruzamento dos dados cartográficos, tais como rede hidrográfica, limites municipais, rede rodoviária, pontos de GPS (Global Positioning Systems) da comunidade (escola, centro comunitário e igreja) e imagens de sensoriamento remoto de boa resolução espacial, que é levada até os participantes para plotagem de informações direto na folha, como mostrado na figura 3.

Figura 3: Mapeamento Participativo utilizando uma imagem de sensoriamento remoto, Fiji
Fonte: IFAD (2009, p. 34)
Durante o mapeamento participativo com o uso de imagens de sensoriamento remoto, os moradores locais podem desenhar por cima de um plástico ou na própria carta-imagem os objetos a serem mapeados. 

O objetivo é proporcionar aos participantes uma visualização da densidade das áreas verdes e outros objetos e fenômenos do território, com a finalidade de identificar e classificar, com base na geometria e no comportamento espectral das feições sintéticas, bem como, a partir da percepção dos participantes do mapeamento, as áreas degradadas, tais como roçados, fazendas, áreas de pastagens e outros, subsidiando a definição de áreas para usos futuros e geração de mapas temáticos.


Mapeamento com o uso de SIG

Neste mapeamento o procedimento adotado consiste em uma familiarização dos participantes com a informática e com os softwares que oferecem a opção SIG, treinando alguns participantes na operação dessas ferramentas (figura 4). 

Essa metodologia tem o intuito de democratizar esse tipo de tecnologia, no entanto, é considerada de custo elevado e complexo, sendo em maioria utilizada por especialistas em geoprocessamento.

Figura 4: Capacitação em Geoprocessamento e SIG no Laboratório de Análise da Informação Geográfica, da Universidade Federal do Pará (LAIG/UFPA). Fonte: Silva et al (2014)
A disponibilidade de laboratórios, com hardwares e softwares adequados à capacitação, nesse tipo de aplicação do mapeamento participativo, é uma das principais dificuldades encontrada para o uso dessa metodologia. Nas outras opções de mapeamento participativo o pesquisador deve também capacitar os participantes no uso do mapa antes da plotagem das informações, contudo, a apresentação do geoprocessamento não é enfatizada como no uso do SIG.
 
A opção por uma modalidade ou outra vai depender de diversos fatores, que refletirão diretamente na participação e nos resultados alcançados pela pesquisa, para isso, elencaremos algumas recomendações que podem ser seguidas na aplicação do mapeamento participativo como metodologia de análise territorial.
  • Para uma boa aplicação da metodologia, um bom relacionamento do pesquisador com a comunidade é a chave para o sucesso. Deve-se também utilizar uma linguagem simples, clara, criativa e que envolva todos os participantes.
  • É importante um planejamento adequado das atividades do mapeamento, para verificar e selecionar os conteúdos a serem representados (áreas de lazer, conflitos, comunitárias/coletivas, festas, religião, etc.), bem como os objetivos, metodologias de coleta de informações, materiais e equipamentos necessários, além de textos de apoio e a definição do público-alvo que participará da elaboração dos mapas.
  • Deve-se possuir o conhecimento prévio sobre o assunto que será coletado e sobre as características gerais da região pesquisada, pois é necessário o conhecimento antecipado dos costumes, principais ocupações dos moradores, meios de transporte, alimentação, etc., para serem debatidos e inquiridos antes do início da coleta de informações.
  • Antes de iniciar a aplicação da metodologia, os facilitadores precisam verificar a infraestrutura onde serão realizadas as reuniões, pois é importante possibilitar a participação de todos os moradores que desejam representar cartograficamente suas atividades ou seu modo de vida.
  • Durante o procedimento de plotagem das informações, a equipe de facilitadores tem como finalidade escutar os comunitários, encorajá-los, realizar perguntas, sondar e, principalmente, não interferir com preconceito de origem, etnia, gênero, religião, idade ou condição socioeconômica, pois a ênfase a esses temas pode gerar novos conflitos, inexistentes antes da aplicação da metodologia participativa.
  • Os facilitadores devem promover, com cautela e imparcialidade, durante a elaboração dos mapas participativos, atividades de inclusão e discussão em grupo, que permitirão aos indivíduos analisar de forma crítica os seus modos de vida e sua participação na comunidade.
  • A visão do entrevistado/mapeador das comunidades deve ser valorizada e ao transformar os dados em informação, os símbolos utilizados deverão ser reconhecidos por todos os participantes.
  • No decorrer da aplicação do procedimento, os mediadores devem atentar para falta de precisão e diferentes escalas, além de ter cuidado com as generalizações acentuadas.
  • É necessário a verificação das informações coletadas com o mapeamento participativo, que consiste em identificar e nomear feições conhecidas dos moradores, pois, devido à falta de precisão cartográfica e da generalização acentuada, com dados em diferentes escalas, é recomendada uma acareação das informações coletadas com mais de um morador, para evitar informações incorretas ou inverídicas.
  • No procedimento de mapeamento com base cartográfica é necessário ter vários mapas base da área estudada, em branco e impressos, para a coleta de diversas informações de sobreposição posterior, com a digitalização e vetorização posterior.
  • Se a técnica utilizada for o mapeamento com a carta-imagem, devem-se procurar imagens de sensores óticos (coloridas), que apresentem cores e tonalidades percebidas próximas do real. Todavia, é necessário ter cautela, uma vez que o uso de imagens de sensoriamento remoto são tendenciosas, pois apresentam feições do espaço que podem não ser percebidas e/ou informadas pelos interlocutores.
  • O pesquisador deverá apresentar o mapa final para as comunidades participantes para a confirmação da veracidade das informações. A disponibilização de diversas cópias do mapa final elaborado para a comunidade deve servir como ferramenta de reconhecimento e reafirmação do uso do território em documentos oficiais, como por exemplo, em planos de manejo ou outros.

Essas recomendações podem servir como suporte ao pesquisador durante a aplicação de técnicas de mapeamento participativo do território. Sabemos que existirão sugestões próprias e outras que o pesquisador encontrará somente em campo. Assim, a aplicação do mapeamento participativo não é uma receita terminada, a ser seguida cegamente. Antes de tudo, é uma metodologia de análise territorial que precisa ser entendida e adequada à realidade em foco.
 
Esperamos que esse post e o artigo publicado na revista Scientia Plena auxiliem o leitor na aplicação desta importante forma de representar e entender o território. 

Até a próxima...


Referências Bibliográficas

INTERNATIONAL FUND FOR AGRICULTURAL DEVELOPMENT, IFAD. Good practices in participatory mapping: a review prepared for the International Fund for Agricultural Development (IFAD). Italy: IFAD, 2009.

RAMBALDI, G., KYEM, P.K., MBILE, P., MCCALL, M. & WEINER, D. Participatory spatial information management and communication in developing countries. The Electronic Journal on Information Systems in Developing Countries. EJISDC (2006) 25, 1, 1-9. Disponível em: https://www.ejisdc.org/ojs2/index.php/ejisdc/article/viewFile/237/158. Acesso em: 7 mar 2016.
 
SILVA, C. N. et al. Qualificação profissional e a informação espacial: o Laboratório de Análise da Informação Geográfica (LAIG) em atividades de capacitação. In.: FERREIRA, C. E. S.; LIMA E SILVA, J. C.; CRUZ, P. R. S.; PASSOS, S. C. Geografia, gestão e segurança ambiental. Belém: GAPTA/UFPA, 2014, p. 11-26.







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17 de maio de 2016

Cálculo automático do NDVI através de "Modelo" do QGIS

22:27 2
Provavelmenteo NDVI é o índice de vegetação mais popular no Brasil. NDVI é a sigla em inglês para Normalized Difference Vegetation Index ou, em português, Índice de Vegetação por Diferença Normalizada.

"O objetivo é mapear a condição da vegetação em nível regional e nacional. Tem sido usados para monitorar a vegetação natural e as condições de culturas agrícolas, para identificar desmatamento nos trópicos e para monitorar áreas de desertificação e secas" (Jensen, 2009).

O cálculo do NDVI é uma simples razão entre a diferença das reflectividades das bandas no infravermelho próximo (NIR) e no vermelho (RED) e pela soma dessas mesmas refletividades (Equação 4, Rouse et al., 1973) (Figura 1).
Fórmula do NDVI

Modelo QGIS para cálculo do NDVI

O NDVI já é bastante divulgado, com bastantes artigos e tutoriais, e sua fórmula é empregada através da "Calculadora Raster" manualmente. A diferença é que resolvi facilitar a vida de muitos usuários construindo um modelo onde só é necessário inserir a respectiva banda no campo indicado.

O modelo para o cálculo automático do NDVI está hospedado no Github neste link. Faça o download e descompacte o arquivo. Nele, você deverá encontrar o arquivo chamado ndvi.model

Para adicionar ao QGIS habilite a "Caixa de ferramentas" e siga o caminho "Modelos > Ferramentas > Adicionar modelo a partir do arquivo", como mostrado na figura 2.


Figura 2. Adicionar o modelo para cálculo do NDVI

Automaticamente será criado o grupo "Raster". Dê um duplo clique na ferramenta do NDVI para realizar o cálculo. E interface é bem simples, basta inserir as bandas no campo indicado. (Figura 3). Na aba ajuda há uma breve explicação.


Figura 3. Interface do modelo para cálculo do NDVI.
Faça o teste. Seu retorno é importante! 

E aí? Deu certo?
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16 de julho de 2015

Converter bandas do LANDSAT 8 para reflectância no QGIS: correção atmosférica DOS1

08:30 1
Já é de conhecimento dos usuários do QGIS o complemento para classificação de imagens de satélite: o Semi-Automatic Classification Plugin ou SCP. Desenvolvido por Luca Congedo, este complemento apresenta diversas funções, por exemplo o download, pré e pós processamento de imagens LANDSAT.


Neste tutorial iremos mostrar o método de correção atmosférica denominada DOS1 (Dark Object Subtraction) presente no complemento SCP para imagens do LANDSAT 8. Este método irá transformar números digitais em reflectância no topo da atmosfera.

O método DOS é um método de correção do espalhamento atmosférico no qual a interferência atmosférica é estimada diretamente a partir dos números digitais (ND) da imagem de satélite, sendo ignorada a absorção atmosférica. Para a aplicação desta técnica não há a necessidade de se obter dados sobre as condições atmosféricas na data de obtenção das imagens (SANCHES et al 2011) [1].

Vale ressaltar que a correção atmosférica é um método crucial para obter bons resultados em processamentos como classificação de imagens e NDVI, por exemplo.
Perceba que ao fazer o download da LANDSAT 8 há um arquivo de texto (MTL). Este arquivo de texto são os metadados que contém informações úteis para a conversão automática de bandas para radiância e refletância. Portanto, não ignore!

Correção atmosférica DOS1 com SCP

Instale o complemento SCP no menu Complementos > Gerenciar e Instalar complementos... e busque por Semi-Automatic que já aparecerá o complemento para instalação. Instale. Perceba que aparece a barra do plugin SCP (Figura 1).

Figura 1. Barra de ferramentas do SCP
A correção atmosférica DOS1 está em pré processamento do complemento. Siga o menu SCP > Pre processing > Landsat, como mostra a figura 2 abaixo:
 
Figura 2. Pre processing
Os passos 1 e 2 a seguir estão representados na figura 3 abaixo. 

1 - Em "Directory containing Landsat bands" selecione a pasta que estão as bandas. Se o arquivo MTL estiver na mesma pasta, ele será carregado. Caso contrário aponte-o em "Select MTL file". Perceba que automaticamente a lista de faixa será carregado no campo "Metadata".

2 - Marque a opção "Apply DOS1 atmospheric correction". Ela é necessária para calcular a reflectância da superfície.

Figura 3. Conversão em Reflectância

ATENÇÃO¹: Deixe somente as bandas 2, 3, 4, 5, 6 e 7. Para remover as bandas 1, 9, 10 e 11 selecione-as e clique em "Remove band".

ATENÇÃO²: note que a opção "Create band set" está ativada. Desmaque-a (!), pois Band Set  será aplicação específica em outra aba do complemento.

Por fim, clique em "Perform conversion" para executar a conversão em reflectância. Selecione a pasta de saída dos novos rasters e estes serão carregados automaticamente no QGIS.

Referência consultada e recomendada

[1] Sanches, Ieda Del’Arco; Andrade, Ricardo Guimarães; Quartaroli, Carlos Fernando; Rodrigues, Cristina Aparecida Gonçalves. Análise comparativa de três métodos de correção atmosférica de imagens Landsat5–TM para obtenção de reflectância de superfície e NDVI In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO, 15. (SBSR)., 2011, Curitiba. Anais... São José dos Campos: INPE, 2011. p. 7564-7571. ISBN 978-85-17-00056-0. <Disponível aqui> Acesso em: 16 jul. 2015.
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13 de julho de 2015

Abertas as inscrições para o curso de QGIS em São Luís (MA)

08:00 0
Chegou a vez de São Luís, capital do estado do Maranhão, de receber o curso de QGIS. Nos dias 26 e 27 de setembro de 2015 estarei em São Luís (MA) ministrando curso de QGIS, módulo básico.


O QGIS é um software de SIG de Código Aberto, licenciado segundo a Licença Pública Geral GNU, mais utilizado na Brasil.
O curso destina-se a profissionais e estudantes de nível superior, técnico ou ensino médio que atuam em áreas que utilizem dados geográficos em SIG e/ou pessoas que queiram iniciar no mundo do geoprocessamento.

Desconto para estudantes e associados da AGB - Seção São Luís

As vagas são LIMITADAS! O investimento é de R$ 370,00 para profissionais. Os estudantes de nível técnico e graduação terão 20% de desconto, ou seja, R$ 296,00.

E mais, para pagamentos à vista será oferecido 8,1% de desconto ou parcelado em até 6x sem juros.

Grupo de 6 estudantes terão 25% de desconto e grupo de 6 associados da AGB - Seção São Luís terão 30% de desconto. Estes descontos para grupos, o pagamento é somente a vista via depósito/transferência. Entre em contato: cursos@geoluislopes.com 

Detalhes do curso
Data: 26 e 27.09.15

Local: Costa Atlântico Hotel (Ipem Calhau, Calhau)

Investimento: R$ 370,00
  • Parcele em até 6x sem juros
  • Para pagamentos à vista, oferecemos desconto de 8,1% 
Carga horária: 16h (sábado e domingo)

Importante: ter noção de informática e leve seu notebook! Curso sujeito a formação de quórum!

Veja o conteúdo programático e inscreva-se: www.cursosgeoluislopes.com

Além do email de contato, cursos@geoluislopes.com, entre em contato via WhatsApp (96) 9 8126 - 5222 para maiores informações.

Apoio:
O certificado do curso será entregue ao final do evento. Nosso curso enquadra-se como "formação inicial e continuada ou qualificação profissional" (Lei 9.394/96), comumente chamado como "curso livre". Certificado emitidos de cursos livres tem validade legal!
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