Aprenda o QGIS: o software livre mais difundido atualmente - Geotecnologias Luís Lopes

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5 de novembro de 2018

Aprenda o QGIS: o software livre mais difundido atualmente

Saudações queridos colegas!

Após alguns meses sem posts retorno agora para iniciar uma sequência de postagens sobre o QGIS, software livre que vem se destacando no mercado de GIS como alternativa para a execução de projetos cartográficos. Basicamente, o conteúdo que divulgarei faz parte de um material - com base cartográfica própria, selecionada durante alguns anos, que uso em minhas disciplinas na graduação e pós-graduação na Universidade Federal do Pará.

Podem se perguntar: Mais um tema repetitivo? Pode até ser, mas o que tenho notado em salas de aula é a ausência de conteúdo gratuito nesta direção. Assim, o objetivo é contribuir na democratização do conhecimento sobre essa importante ferramenta. Para isso, vou iniciar o conjunto de postagens a partir da discussão sobre a evolução da representação cartográfica, posteriormente - semanalmente, vamos divulgar todos os passos para que o leitor possa conhecer desde a instalação até o manuseio especializado no software...

Espero auxiliar com aqueles querem se aprofundar nessa ferramenta.

Destacamos aqui os tutoriais, livros e manuais que são referências conhecidas e que citaremos no decorrer das postagens como indicação para os leitores. Além dessas leituras tradicionais, foi imprescindível o acesso em vídeo-aulas no youtube e em blogs de geoprocessamento, citados ao longo das postagens, que disponibilizam gratuitamente diversos tutoriais, que também servirão como referência primordial para a conclusão das postagens, dentre outros, citamos aqui os blogs GeoLuisLopes, Sadeck Geotecnologias, Anderson Medeiros, VasGeo, Processamento Digital e Geosaber, que vem popularizando e estimulando o uso de geotecnologias e o aprendizado em cartografia e seus desdobramentos/avanços dos últimos séculos. 

Sem duvida, o aparecimento dessas vídeo-aulas, de blogs e sites contribuem em muito na formação e capacitação de profissionais, em todos os níveis de ensino e setores da atividade humana. Vamos lá...

O MAPA E A EXPLICAÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO


Nas últimas décadas a análise geográfica passou por uma série de transformações, notadamente com relação às técnicas de elaboração e representação espacial, com ênfase para os progressos alcançados com o uso de computadores e os avanços na coleta de informações espaciais, por meio de sensores remotos. Nesse sentido, é importante analisar os processos de mudanças na arte, técnica, ciência e disciplina cartográfica, considerando as novas (geo)tecnologias e as transformações que o homem vem imprimindo no espaço geográfico (SILVA; CARVALHO, 2011).

O conceito de geotecnologias (sensores remotos, os Sistemas Globais de Navegação por Satélite – GNSS, aplicativos de geoprocessamento, Sistemas de Informações Geográficas – SIG, etc), se apresentam na atualidade como importantes ferramentas para a produção da “geoinformação”, ou seja, para a geração e manipulação em meio digital de informações espacializadas, oriundas de técnicas de interpretação visual de imagens, coleta de dados em campo e manipulação computacional de fenômenos e objetos espacializados, existentes no espaço geográfico. Sendo que, essas ferramentas, facilitam a elaboração dos produtos cartográficos, agilizando a coleta de dados, otimizando a manipulação das informações espaciais adquiridas e divulgando mais rapidamente os produtos cartográficos que são elaborados.

Essa evolução na elaboração dos produtos cartográficos, também disponíveis na internet, acompanha o progresso das atividades humanas que se desenvolvem nas questões de ordenamento e gestão territorial na atualidade. Contudo, é cada vez mais evidente que as formas de interagir e ocupar o espaço geográfico devem se beneficiar dessas “novas” ferramentas cartográficas, pois as modificações que se desdobram no espaço não podem ser desconsideradas em nenhuma atividade. Entre as chamadas geotecnologias destacam-se os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) e as imagens de sensoriamento remoto de alta resolução, que permitem distinguir pequenos objetos sobre a superfície do planeta, algo indisponível em décadas passadas. A figura 1 mostra obras humanas, cada vez mais comuns, e que podem ser visualizadas do espaço e são frutos da intervenção do homem em seus territórios, que também carecem de representação cartográfica.
                                  Figuras 1: Condomínios em Dubai Fonte: http://migre.me/8W5iI

Assim, com o avanço nas tecnologias de ocupação e ordenamento dos territórios, surgem novas formas, cada vez mais impactantes e evidentes no espaço geográfico. Fato que não acontecia em tempos anteriores, onde a tecnologia rudimentar não possibilitava ao Homem daquele momento, com tanta frequência como se observa nos dias de hoje, a construção de objetos tão grandiosos como da figura 1. Isso demonstra também a necessidade de representação desses novos objetos, que são criados diariamente e que refletem no surgimento de sites especializados na divulgação da informação espacial, como o Google Earth, Eye on Earth, Google Maps, entre outros.

Outro exemplo de como a cartografia e suas ferramentas “geotecnológicas” vem sendo utilizadas de forma cada vez mais comum, vemos na próxima figura, que representa a espacialização de fenômenos criminais no ano de 2010, em bairros do município de Marituba, no estado do Pará, Brasil. Esse tipo de produto, e outros desse gênero, estão sendo gerados com mais frequência, não apenas em setores de segurança, saúde e planejamento urbano, mas também na área educacional, onde os computadores e os aplicativos de geoprocessamento (que podem ser gratuitos, ou OpenGIS) estão cada vez mais acessíveis aos usuários, sejam geógrafos ou não. Isto é, atualmente a elaboração do mapa depende, principalmente, da disponibilização dos dados pelos órgãos competentes, no caso da figura 2, dados cedidos pela Polícia Militar do Estado do Pará.
Figura 2: Mapa de intensidade de porte ilegal, tráfico de drogas e homicídio, no município de Marituba – Fonte: Alvarez (2011)

Esses e outros exemplos de modelos de mapas estão disponíveis com cada vez mais intensidade na internet. São amostras de trabalhos que utilizam a cartografia digital e que podem ser replicados em outros lugares, por outros profissionais e que são adaptados à realidade do usuário que, dependendo do assunto, trará novos questionamentos para a elaboração de outros mapas. Na atualidade, a justificativa de “não saber fazer” tem cada vez menos sentido, uma vez que existem, acompanhando o avanço de elaboração e divulgação dos softwares de geoprocessamento, diversas revistas, sites blogs, que discutem como “montar” esses produtos, por meio de tutoriais, artigos e manuais de elaboração. 

Assim, a questão do uso de ferramentas de geoinformação está intimamente ligada à necessidade de espacializar os fenômenos e os processos de territorialização no espaço geográfico, por meio do uso de equipamentos computadorizados e de técnicas cartográficas que têm surgido nos últimos anos, desde o lançamento dos primeiros satélites de comunicação, ao uso de sensores de alta resolução espacial; pois os fenômenos sobre a superfície de Terra refletem na produção de informações sobre um determinado local, que são passíveis de serem visualizados na tela de um computador. Dessa maneira, a representação da Terra e de seus objetos, são produto e matéria-prima do que acontece na superfície, onde todas as informações obtidas passam a ser atualizadas constantemente, criando novos dados e informações que estão sendo revisadas esporadicamente e que geram novos objetos na superfície terrestre e que refletem na elaboração de mapas atualizados com maior frequência.

Todavia, é importante que antes de elaborarmos um mapa – ou outra representação espacial, devemos saber qual será o uso para este produto cartográfico e quais os usuários a que se destina. As possibilidades são grandes: monitoramento ambiental, segurança pública, transportes, manejo de recursos naturais, cadastros rurais e urbanos, análises espaciais urbanas, etc. Assim, a complexidade, ou facilidade, que o mapa terá dependerá, principalmente, de algumas especificidades, que podem ser encontradas em Silva et al (2014):

1) Do nível cognitivo ou da formação escolar do usuário: isto é, da especialidade de cada usuário em saber elaborar e analisar o mapa produzido. Desse modo, um biólogo entenderá o mapa diferente do que um geólogo, geógrafo, engenheiro e assim por diante. A (multi, inter, trans) disciplinariedade dos mapas refletem o conhecimento de seu elaborador. Assim, quanto mais “treinada” a visão do elaborador dos mapas, mais complexo será o produto cartográfico produzido e vice-versa, daí teremos mapas simples e complexos para públicos diferenciados;

2) Das instituições, organizações e ideologias do elaborador: De alguma forma, direta ou não, todos os indivíduos estão vinculados a instituições/organizações políticas e ideológicas, que influenciam em suas práticas e, consequentemente, repercutem nos produtos e/ou atividades realizadas. O elaborador do mapa deve cultivar a prática da imparcialidade, para que seus mapas não sejam tendenciosos e partidários, mas que estimulem o sentido crítico de seus leitores na busca por um entendimento próprio dos fenômenos;

3) Das ferramentas (geo)tecnológicas (softwares hardwares) disponíveis para a elaboração do mapa: É necessário enfatizar que existem diversos programas e equipamentos direcionados à elaboração e disseminação dos mapas. Se antes o usuário necessitava do estudo de campo para compreender o fenômeno estudado, nos dias de hoje as imagens de sensores remotos nos dão a capacidade de perceber objetos no espaço geográfico sem sairmos do laboratório, bastando somente a capacitação técnica para a manipulação das tecnologias. A precisão e a melhoria nas resoluções (radiométrica, temporal, espectral e espacial) possíveis pelo avanço da informática dos últimos anos e também da aeronáutica (com os satélites, aviões e os drones), tornaram-se aliados significativos que foram incorporados aos conhecimentos já produzidos pelas chamadas geotecnologias mais antigas (bússola, astrolábio, etc) e que vem influenciando diretamente na qualidade dos mapas produzidos e nas formações dos profissionais que trabalham na área cartográfica;

4) Do fenômeno ou objeto que está sendo representado: Um mapa ideal (e não perfeito) será reflexo da quantidade de informações já colecionadas sobre uma temática de análise. Dessa forma, quanto mais conhecemos um determinado tema, mais poderemos encontrar novas aplicações para o conhecimento reunido, isto é, se pouco se conhece sobre um determinado assunto mais limitada será a produção cartográfica sobre esse assunto. Quando escolhemos temáticas que já são conhecidas pela comunidade científica, por exemplo, torna-se mais fácil o cruzamento de informações diversas, que possibilita a construção de novos conhecimentos, em que a formação do elaborador terá influencia direta na complexidade do produto criado;

5) Da capacidade de leitura e entendimento dos usuários: Os mapas elaborados não são feitos para o elaborador/mapeador ler, mas sim para um público-alvo de usuários, que tem necessidades especificas, estes últimos devem estar preparados para ler os mapas disponíveis, segundo o seu nível cognitivo (idade, grau de escolaridade, experiência de vida, etc), pois, dependendo da complexidade o mapa pode não atender as necessidades daqueles para o qual foi feito, ou pode ser simples demais para um leitor melhor preparado. É importante enfatizar que o avanço tecnológico por qual passa a cartografia – e outras ciências, não deve enfraquecer a análise crítica contida nos mapas, pois as chamadas geotecnologias, tem a facilidade de produzir mapas de maneira mecânica, sem a análise crítica de seu formulador e/ou leitor.

Para Silva (2013) essas características são fundamentais para que o mapa seja ideal ou adequado para um determinado uso. A perfeição não cabe ao elaborador de mapas, pois a realidade e seus atributos são muito maiores do que se pode colocar em uma folha de papel ou tela de computador. Ao usuário resta a busca constante por um produto “mais bonito”, preciso ou que agregue mais conhecimento, tendo em vista sempre não apenas a informação da localização dos objetos ou fenômenos (onde?), mas também a análise crítica dessa espacialização, isto é, o por que?como? e para que?.

Essa postagem é um debate inicial, conceitual, para adiantar os assuntos que serão tratados no conjunto de postagens sobre o QGis. Buscaremos ancorar todas as postagens - conceituais e técnicas com referências adequadas para o aprofundamento do usuário. 

Espero que seja proveitoso essa empreitada. Aguardo contribuições... 

Abraços!

REFERENCIAS


ALVAREZ, W. P. Geografia e segurança pública: Violência, pobreza e a criminalidade, o uso de sistema de informações geográficas na detecção do crime no município de Marituba. Belém: FCG/UFPA, 2011 (Trabalho de conclusão de curso de graduação em Geografia)
SILVA, C. N. A cartografia em sala de aula na explicação do espaço geográfico. Acta Geográfica (UFRR), p.55 - 68, 2013.
SILVA, C. N.; CARVALHO, J. S. A representação espacial e a linguagem cartográfica. Revista de Geografia, Meio Ambiente e Ensino - GEOMAE (Online), v.2, p.85 - 106, 2011.
SILVA, C. et al. The Cartography and the Spatial Representations: Search by Perfect Map. Journal of Geographic Information System, v.06, p.624 - 635, 2014.

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